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  • Um “Novo” Velho? Ou um “Novo”, realmente novo?

Será o recém reconhecido pelo TSE, “Partido Novo”, de fato novo?

A pergunta tem sentido. Pois, em que pese haver toda uma pregação de liberalismo econômico, o que é bom, não há absolutamente nada claro, além disso.  O que colocaria o “Novo”, em algo tão “novo” quanto o PFL (ok, fui ácido demais na colocação…).

Mas claro, há de fato pontos “novos”: pregação capitalista, meritocracia, é contra o gigantismo estatal. Mas até aí o DEM (ou alguns membros do DEM, como o combativo senador Caiado) prega o mesmo. Ou quase.

E certamente é muito melhor haver uma posição de “ideologia econômica” claramente definida em estatuto, mas há muito mais além disso, quando se fala em política.

 

  • Dúvidas e mais dúvidas

 

Confesso que,  inicialmente, me senti atraído pelo “Novo” por conta de comentários de membros do “direita livre” no facebook sobre “…finalmente um partido de direita”, etc. O grande problema é que aquilo que chamamos de “Direita” é extremamente fragmentário: há a Direta conservadora religiosa (TFP, Católicos e Evangélicos), a Direita Laica, a Direita do Revisionismo Penal (penas mais duras, pena de morte, redução da maioridade), e por aí vai. Cada qual  com sua bandeira particular, em que pese muitos pontos coincidirem. O único ponto em comum, claro, é a defesa do capitalismo, e a liberdade de mercado, que são exatamente os pontos defendidos pelo chamado “Partido Novo”. Mas, para além disso, há muitas dúvidas.

To be or not to be “Novo”, eis a grande questão. Ou melhor, questões:

  1. Qual a posição do partido em relação ao aborto?
  2. E as drogas?
  3. E a maioridade penal / sistema penal como um todo?
  4. E o porte de armas?
  5. E a defesa dos valores da família (“kit gay”, “politização” nas escolas) ?
  6. O partido se define claramente contra o FORO DE SÃO PAULO e tentativas de transformar o Brasil em república comunista/socialista? (embora esta pergunta, aparentemente, esteja respondida dentro da defesa do capitalismo)

E mais: O partido deixará esses pontos em aberto, desde que os membros defendam o livre mercado? Ou irá impor uma agenda? Ou “votar” uma (com risco de mudar tudo depois que você entrar)?

Como se vê, há dúvidas. E mais dúvidas.

Enquanto redigia este texto, conversei com um apoiador do “NOVO”, Sr. Caio Marino, e o mesmo garantiu que, preservado o núcleo ideológico capitalista liberal de livre mercado, haveria liberdade de posição quanto a outras questões políticas, o que permitira, em tese, que várias correntes de Direita pudessem coabitar  (e se digladiar?) no partido.

Porém, como bom “São Tomé”, remeti e-mail para a direção do partido em São Paulo para obter uma posição oficial quanto à questão. Política não se faz apenas com números.

Resta saber apenas, e isso é essencial, se essa “eficiência empresarial” dará espaço para as “várias direitas” que, atualmente, encontram-se órfãs no Brasil ou se será o “Novo” um PSDB 2.0 (como uma melancia: verde por fora, mas vermelho por dentro).

 

  • Eficiência empresarial


Independentemente da resposta, pode-se dizer que o “Novo” nasce incomodando os partidos tradicionais. Isso pelo fato de que foi criado por empresários, e não velhas raposas da oligarquia política nacional. O que significaria dizer, ao menos em tese, eficiência e capacidade gerencial: que deve começar pelo próprio partido

Um exemplo disso é que mandei para o Senador Caiado, em 21/07/2015, e-mail requerendo informações sobre uma eventual participação minha em sua campanha. Nunca obtive resposta (imagine alguém batendo na porta de sua empresa, se oferecendo para trabalhar de graça. Você aceitaria “na hora”, não? Na veeeeelha política brasileira, as coisa são lentas – ou os “assessores”).

Porém, bastou que o senador tomasse conhecimento, HOJE (16/09/2015) , de que estava considerando entrar para o “NOVO”, e o mesmo me remeteu, no mesmo dia, um e-mail “lamentando” minha decisão… Nada como a concorrência…

 

  • Direita Real ou “Direita Envergonhada”?

 

Um último ponto, e essencialíssimo, é como o Partido Novo se enxerga. E isso é fundamental.

Por certo, a simples menção a “capitalismo”, “livre mercado”, “meritocracia”, tornam automaticamente o partido dentro da “Direita Clássica” ou “Direita liberal”, e assim ele será denominado (queiram ou não) por qualquer cientista político sério, ainda que prefiram se dizer apenas do “Liberalismo clássico” (vergonha de se dizer “Direita”?). Resta saber se o partido se “assumirá”, “sairá do armário” ou continuará a manter a Direita nacional órfã, ao se dizer “centro-alguma-coisa”, ou até “centro-esquerda”, como já critiquei AQUI e AQUI.

O grande fato é que, ao não se assumir como algo TOTALMENTE inverso a todos os demais partidos (de esquerda), corre-se o risco de se tornar o “Novo”, algo tão igual como todos os demais. E colaborar, com isso, para a eterna difusão dos ideários esquerdistas (intervenção econômica, estado gigante, assistencialismo, etc), já que não há claros “divisores de água”.

O grande medo, como já ocorreu com tantos outros partidos, é que o “Partido Novo”, ao não se assumir claramente como Direita, passe a ser infiltrado por “capitalistas pero no mucho” no estilo de FHC e tantos outros.

Costumo dizer que ser Direita (capitalista, meritocrata, etc) no Brasil é como ser “insultado” de “Brasileiro” por um racista no estrangeiro, onde, ao invés de defender sua bandeira, o “insultado” passa a fingir-se de outra nação. Quando iremos bater a mão no peito e começar a dizer “com muito orgulho”?

O e-mail endereçado hoje para o diretório de São Paulo, até o momento, permanece sem resposta. Aguardemos…

 

 

Iran P. Moreira Necho