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O reino era pura efervescência. A alta corte acuada. Jogavam o jogo como sempre fizeram: Como donos do tabuleiro e das regras. Imaginavam que a sorte ou o tempo lhes traria algum refrigério, ignorantes de um novo tabuleiro já existente, e das novas regras.

No novo xadrez, cairá primeiro o rei, e somente então a rainha. E o padecimento de ambos abrirá caminho para os 2 lances finais.

Do alto da torre longínqua o rei se desespera ao ver a onda verde se agigantar. Mas a rainha, como sempre, nada enxerga além do mármore do castelo. Surda àquilo que não emane da própria voz.

Um silêncio Macbethiano paira no ar, enquanto a floresta cria pernas e se aproxima das fortificações. Não haverá tempo para defesa. Tarde demais.

E a imortalidade se descobrirá mortal. Em seus últimos instantes, cobrir-se-á de terror ao ver que o destino, afinal, já estava escrito pelas próprias bruxas ao lhe darem o poder.

E o que um dia foi voltará ser, e o que se imaginou ser, desaparecerá para jamais voltar.

 

 

Iran P. Moreira Necho

(Descrição da queda da Bastilha, numa narrativa de Macbteh)