The Great Depression. Unemployed men queued outside a soup kitchen opened in Chicago by Al Capone. The storefront sign reads 'Free Soup, Coffee and Doughnuts for the Unemployed.' Chicago, 1930s (Newscom TagID: evhistorypix027753.jpg) [Photo via Newscom]

02/09/2015

  • Futurologia x ciência

Alguns anos atrás, eu e minha esposa tivemos uma séria discussão acerca da oportunidade de adquirirmos um imóvel. Estávamos, por aqueles tempos, no auge da especulação imobiliária e eu, por razões de análise histórica, estava firmemente convencido de que vivíamos numa bolha imobiliária. À época, havia predito que o mercado implodiria, no mais tardar, no final de 2016, após as olimpíadas.

Não se tratava exatamente de ato de “adivinhação”. Poucos sabem, mas grande parte da economia se lastreia mais em fatores psicológicos do que propriamente matemáticos. Afinal, são decisões humanas que fazem girar as compras, as vendas, a produção de máquinas, e tudo aquilo que chamamos de economia de mercado. Uma situação complexa, mas para um professor de retórica como eu, que lecionou por mais de duas décadas, o estudo e a compreensão dos motivos por trás dos atos diz respeito à minha própria essência.

No caso, me imaginei dentro de alguns grupos distintos (médios e altos especuladores do mercado imobiliário) e tentei chegar à conclusão que os mesmos chegariam, estivesse eu em seus lugares. Conclusão reforçada, ainda, com dados obtidos entrevistando pessoas do segmento imobiliário.

 

  • O estouro da bolha

Atualmente, não se fala mais “se” haverá quebra do mercado imobiliário, mas “quando”, e com qual intensidade. E, claro, muito se fala se teremos algo similar à recente crise imobiliária norte-americana.

A distinção de nossa crise, se comparada à americana, é que a concentração da especulação aqui é muito maior, enquanto nos EUA haviam muitos especuladores de pequeno porte. O que, em tese, tem permitido que se evite um ‘crash’ tão ‘repentino’ quanto lá. Por enquanto.

Mas eu havia, inicialmente, previsto uma “readequação à realidade” no mercado imobiliário por volta das olimpíadas. E qual razão desse ‘marco’ temporal? Trata-se da “última oportunidade” de entrada forte de investimentos. Algo mais no terreno dos desejos do que na realidade atual. Mas, como tudo o que rege o comportamento humano, as decisões estão mesmo sempre lastreadas em desejos e esperanças.

Porém, outros fatores ocorreram que podem não apenas antecipar o “estouro da bolha”, como ainda torná-lo num “café pequeno” dentro de um contexto muito pior.

 

  • Um caldeirão de Nocividades

 

O quê então haveria de “derreter” esse “lastro temporal” (olimpíadas) para desinvestir no mercado imobiliário? Alguns fatos:

a- a recessão econômica (má gestão do PT) ;

b- deterioração de todos os fundamentos da economia, graças à maquiagem feita para o PT vencer as eleições;

c- desemprego;

d- crise na China. Leia-se: decisão ideológica dos governos de esquerda de serem mais “dependentes” do terceiro mundo do que dos “imperialistas” americanos (que vão bem de economia, obrigado…);

e- deterioração no preço das commodities (leia-se: incapacidade , dos governos de diversificar a economia);

f- perda do rating de investimento (prestes a acontecer em breve, graças à incompetência do PT), com consequências catastróficas;

g- dívida do governo grande e fora do controle (não, o Lula não pagou a dívida brasileira);

 

 

  • A realidade bate à porta

 

Num artigo recente, no Estadão, teve-se a constatação de que houve um aumento de apenas 1% no valor imobiliário geral no último ano. O que significa dizer que, EM APENAS UM ANO, houve PERDA de 8,28%, uma vez que a inflação no período foi de 9,28%… Leia aqui:

http://economia.estadao.com.br/noticias/seu-imovel,preco-dos-imovel-tem-queda-em-20-bairros-de-sao-paulo,1754668

 

Observemos o índice ZAP abaixo (http://www.zap.com.br/imoveis/fipe-zap-b/):

zap2

 

Como se pode observar pelo próprio gráfico, a variação do preço dos imóveis no período de 01/2008 a 07/2015 é 166,2% superior ao do IPCA, algo insustentável, como já havia previsto um economista americano, vencedor do prêmio nobel de economia, e isso em 2013:

http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/10/14/ganhador-do-nobel-de-economia-alertou-sobre-bolha-imobiliaria-no-brasil.htm

 

Logo, neste exato momento, estamos no início da curva descendente de investimento, momento em que a maioria iria, ou deveria,  se desfazer de seus ativos. O problema é que há muito mais oferta que procura, e a tendência é a procura minguar-se, e muito, dada a conjuntura que se nos apresenta para o futuro. Logo, o “estouro da bolha” não é mais aposta, mas uma certeza.

 

Haverá uma “grande depressão”?

 

A grande depressão norte-americana, iniciada com o crash da bolsa de Nova Iorque, foi uma hecatombe econômica no ano de 1929 e seguintes. Muitos argumentarão que hoje os Estados possuem diversos mecanismos de proteção, econômica e social, que preveniriam consequências semelhantes. Mas se pergunta, até quando?

Alguns podem afirmar, por exemplo, que o Brasil possui ativos para vender (e o PT pretende fazer isso: privatizações), porém, dentro de um contexto recessivo, isso equivaleria a dar de graça nossas empresas e investimentos feitos a duras penas por décadas.

Por outro lado, o aumento de impostos planejado pelo PT para cobrir o rombo nas contas pode levar a uma “espiral da morte” na economia. Onde a recessão diminuiria o caixa do governo, e o aumento dos impostos aumentaria a recessão, que por sua vez diminuiria os empregos, o que diminuiria o consumo, fato que levaria a uma menor produção industrial, e diminuiria, de novo, o caixa do governo…

Talvez, muitos dos que viveram a década de 1980 (chamada “década perdida” por alguns”), ao analisar isoladamente os fatos acima, possam estar munidos de uma errônea autoconfiança. Porém, NUNCA tivemos tantas variáveis negativas, e ao mesmo tempo. Portanto, se além do estouro da bolha imobiliária, teremos uma “grande depressão”, é algo que, a esta altura, é difícil afirmar, porém é uma possibilidade que aumenta a cada dia.

O fato é que, tal qual o conto da “cigarra e a formiga”, enquanto alguns países economizaram e diversificaram suas economias, o Brasil do PT (e todos os da “esquerda” latina) desperdiçou dinheiro, perdoou dívidas bilionárias de ditadores africanos, distribuir benesses, enfim, arruinou a economia. Agora o “inverno” está chegando. E não há “lenha”, muito menos “mantimentos”.

O que fazer? Economize, e muito. Você vai precisar.

 

Iran P. Moreira Necho (IP MN)

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ATUALIZAÇÕES

 

Resolvi criar uma área de “atualizações” para verificar o grau de acerto em minhas previsões. A cada atualização, farei uma reanalise da conjuntura.

——

09/09/2015 Standard and poors revisa a nota do Brasil para baixo. A matéria pode ser encontrada aqui:

http://veja.abril.com.br/blog/mercados/economia/sp-corta-nota-do-brasil-e-pais-perde-o-grau-de-investimento/

 

  • Análise da conjuntura:

a) O rebaixamento da S&P irá desencadear um processo de reavaliação negativa por parte das demais agências, se não ainda este mês, no mais tardar na primeira semana do mês vindouro;

b) O impacto será ainda mais negativo em toda a cadeia produtiva e para o governo, pois além do rebaixamento da nota do Brasil, que custou décadas para alcançar, há uma quase certeza de que haverá ainda outro rebaixamento, jogando toda a economia para o limbo;

c) A situação do atual ministro tornar-se-á insustentável, pois a “dívida” de Dilma para com o PT (Lula), a atrela a permanecer dentro de um governo “de esquerda”. Ou seja, ainda que Dilma arraste a todos para o inferno, não poderá deixar de apadrinhar os mais de 100 mil cargos que hoje incham a máquina pública;

d) Ainda quanto a esse “inchaço” gigantesco (cabide de empregos), ainda que Dilma quisesse, nada poderia fazer. O PT está quebrado financeiramente. E de acordo com o artigo 184 do Estatuto do PT, cada membro do partido que tenha “cargo de confiança” É OBRIGADO A CONTRIBUIR. O documento está registrado no TSE, e pode ser lido aqui:

http://www.justicaeleitoral.jus.br/arquivos/tse-estatuto-do-pt-deferido-em-5-junho-2014

Claro que em qualquer país decente do mundo, a justiça eleitoral deveria considerar isso uma forma de ROUBO. Pois se você obriga seus filiados a doarem uma porcentagem no caso deles terem cargos comissionados, e em seguida cria 100.000 cargos comissionados com gente do seu partido, claramente está havendo um DESVIO DE ERÁRIO PÚBLICO. Porém, estamos no Brasil.

De qualquer modo, por conta desso vergonhoso mecanismo de enriquecimento partidário às custas do inchaço da máquina pública (e consequente destruição da economia – debaixo das barbas do TSE…), Dilma não poderá fazer um enxugamento real. Ou o PT iria á falência.

e) Politicamente, a “bússola” de Dilma aponta a “nau” brasileira para um iceberg. Não poderá tomar medidas “capitalistas”, ou perderia apoio dentro de seu próprio partido. Todavia, tem a seu favor:

  1. um STF majoritariamente constituído de membros indicados pelo PT;
  2. TCU sob controle;
  3. a possibilidade de acenar com mais “emendas” bilionárias para sua base aliada, ainda que isso destrua completamente a confiança do investidor e, consequentemente, a economia;
  4. apoio, ainda que ‘rachado’, do PMDB (enquanto o governo tiver dinheiro – o nosso – e terá);
  5. influência sobre a mídia nacional (leia-se “verba publicitária” bilionária) e
  6. “passividade” da população em geral.

 

  • Variáveis possíveis no futuro próximo
  1. Com a saída de Levy, o governo pode descambar para um “vale tudo”, apelando para o populismo geral e aumentos de impostos para “os mais ricos”, apostando numa divisão social, que é uma estratégia básica do marxismo;
  2. O rebaixamento geral da nota brasileira pode ter um efeito perverso sobre o mercado imobiliário, com a saída em massa de investidores, gerando um grande ‘crash’;
  3. Respaldada na Venezuela e Argentina, que foram destruídas economicamente, mas seus governos se mantém no poder, a única saída para o PT será apostar num fisiologismo ainda maior no congresso, com aumento dos “investimentos” no bolsa família (compra de votos), usando a própria crise criada pela Dilma/Lula/PT como justificativa para “assistir aos mais necessitados”;
  4. Haverá a tendência de uma ainda maior aproximação “estratégica” do Brasil com Rússia e China, com grandes concessões (perdas) nacionais, como por exemplo, compra de equipamento militar caro, no meio da crise, como forma de “barganha para entrar nesses mercados”. Os russos, provavelmente, exigirão que o Brasil compre armas em troca da compra pela Rússia da carne brasileira. Uma volta ao escambo feito entre portugueses e índios em 1500 (pedras preciosas/ouro por colares e enfeites);
  5. Dificilmente ocorrerá enxugamento da máquina pública federal (cabide de empregos);
  6. Haverá recessão maior do que o imaginado, possivelmente passando de 5% negativos do PIB, em 2016, com aumento de desemprego, inatividade industrial e efeitos na balança comercial que se “desindustrializará” ainda mais, sendo segurada somente pelas commodities, que serão favorecidas pelo dólar, o  qual, possivelmente, deverá romper a marca dos 4,00, sendo indizível o patamar a que chegará.