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ENTENDENDO O INTERVENCIONISMO

Uma tarde em um acampamento intervencionista

 

– A VISÃO DA IMPRENSA

Loucos. Um pequeno bando de velhos saudosos do regime militar que, sem ter o que fazer em suas casas, desejam transformar o Brasil numa nova Cuba, mas de Direita. Assim são retratados os ‘intervencionistas’ pela grande mídia. E assim desejam pintá-los a classe política.

 

Munido de nada, além do desejo de busca da verdade e um celular, resolvi pôr à prova essa visão dos intervencionistas que é, sistematicamente, retratada pela grande imprensa.

 

– NO ACAMPAMENTO

Sob o Sol alegre do sábado, o “QG” dos intervencionistas está, como ouvi de alguns, “entre o céu e o inferno”, eis que se situa numa rua que tem um Comando Militar à frente, e a Assembleia Legislativa atrás.

 De início, pude constatar que havia jovens, idosos, crianças. Músicos, jornalistas, donas de casa, empresários, trabalhadores. Gente de todo tipo. Até mesmo “ex-esquerdistas”, frustrados com as revelações de traição e corrupção de seus antigos líderes e convertidos à nova causa. Um público de fato heterogêneo. Muito diferente do que é retratado pelos políticos e imprensa.

 

– ENTRE O AMOR E O ÓDIO

O entra e sai de pessoas é grande ali e, se por um lado o número constante nas barracas parece pequeno, o fato é que grande parte trabalha ou tem família, o que torna o acampamento mais num centro de confraternização política do que propriamente uma “manifestação de porte”, como aquelas pagas pelo PT, na base de 50 reais e pão com mortadela. Há sempre pessoas chegando, trocando ideias e partindo, talvez numa folga do almoço ou do trabalho.

 Não pude deixar de notar que diversos carros param e pedem panfletos, enquanto outros simplesmente abrem o vidro para berrar frases patrióticas e de apoio. Mas digno de nota também são os olhares de ódio, especialmente de políticos e seus funcionários saídos da Assembleia Legislativa que, entre rangeres de dentes e xingamentos mudos, passam em olhares raivosos em frente ao acampamento. Faz sentido. Especialmente de membros do PT. Mas são ignorados solenemente.

 

 – UM POUCO DE PARANOIA.

Tive o azar de chegar ao acampamento exatamente no mesmo horário em que um rival, tido como “infiltrado”, chegara nas imediações. Fui recebido com uma saraivada de questionamentos. Faz sentido, uma vez que os comunistas são azes na arte de se infiltrar e subverter.

 Por conta disso, preferi não “dar nomes aos bois” e tornar esta, ao invés de uma entrevista, em uma pesquisa genérica do tema. Até em razão de que ouvi diversas opiniões. Então o que vem a seguir é um misto de diversas opiniões, não apenas do acampamento em si, como também de outros grupos.

 

 – O QUE BUSCA O INTERVENCIONISMO

 

Intervenção, como o próprio nome indica, dá a entender a ideia de uma ação corretiva temporária. Uma ideia muito diferente de uma ditadura, como existe em Cuba ou na Venezuela (defendidas pelo PT).

 A ideia geral do intervencionismo é que o sistema político está infiltrado por petistas/comunistas em todas as áreas do poder (judiciário, legislativo, executivo) e que a depender deles, o máximo que se conseguirá será a mudança de algumas “caras”, mas o “sistema podre”, caracterizado por corrupção e implantação gradual do comunismo (vide Venezuela), jamais será alterado.

 Alguns exemplos de que nada mudaria, ainda que ocorra o Impeachment:

 

– Vereadores não deveriam receber salários. Pequenas cidades gastam até 60% de seus recursos apenas com a câmara municipal, enquanto o povo passa necessidades. Alguém crê que os vereadores irão cortar seus privilégios de marajás? Nos anos 60, os vereadores não recebiam salário. A mudança, pagamento de salários e mordomias, ajudou a afundar o Brasil naquilo que hoje é.

 

– Juízes corruptos não deveriam receber “aposentadoria compulsória”. Hoje, se um juiz roubar milhões, matar ou estuprar, ele será “punido”, entre outras coisas,  com “aposentadoria forçada”. Uma vergonha nacional. Alguém crê que os magistrados vão abrir mão dessa regalia?

 

– Aposentadorias políticas e “especiais” são imorais. Os políticos, se quiserem se aposentar deveriam contratar um plano privado e pagar de seus bolsos. Como qualquer outro mortal. Os custos com políticos e aposentadorias bancadas com dinheiro do povo são imorais. Alguém crê que isso irá mudar?

 

– As penas de corrupção são BAIXAS. Somente em casos absurdamente gritantes, como é o caso do “petrolão” se consegue alguma condenação significativa. Corrupção deveria ter pena maior que homicídio. Pois um assassino mata um ou dois, um corrupto pode matar milhões de fome, doença, etc. Outro ponto que ninguém comenta é que NÃO EXISTE LEGISLAÇÃO ESPECIALIZADA para corrupção e desvio de conduta NAS EMPRESAS PRIVADAS, então a CULTURA DA CORRUPÇÃO se alastra. Alguém crê que os políticos serão duros consigo mesmos?

 

SE houver impeachment, nada mudará. E os motivos aqui são vários: Com o impeachment o poder irá para o PSDB (FHC, Aécio, Serra) ou PMDB (Temer, Cunha, Renan). Quanto ao PMDB não é preciso dizer muito. Com relação ao PSDB, existe suspeita de corrupção também da cúpula tucana com o petrolão, bem como é “estranha” a declaração de apoio de FHC a Dilma.

 

– O atual sistema eleitoral é corrupto por natureza. Hoje, somente milionários ou pessoas vendidas por apoio de empresas ou organizações conseguem se eleger. A única solução seria o sistema distrital puro com proibição de doação por pessoas jurídicas, com limite de doação por pessoa e limite de gastos. Mas isso significaria que os atuais políticos  ganhariam milhões de competidores. Além disso, as grandes empresas (Odebrecht, OAS, etc) perderiam seu poder de influência. Alguém crê que isso ocorreria?

 

– Burocracia. A fórmula geral da corrupção brasileira corresponde a criar um mar infinito de regras, imposições e restrições. Dificuldades e leis que são inventadas para que os burocratas possam vender “facilidades” (corrupção). Um exemplo simples disso é a “carteira de motorista”. Talvez a habilitação mais cara do planeta e a mais difícil. Difícil, para quem não tem dinheiro para “facilitar”. Nos Estados Unidos, tirar habilitação leva apenas algumas horas. Alguém acha que isso irá mudar?

 

– Privilégiocracia. Trata-se de uma estratégia comunista de implosão gradual do capitalismo por meio de aumento de ineficiência. Isso se dá por meio de “cotas”, privilégios de “castas sociais” (legislativo, judiciário, partes específicas do funcionalismo), gerando imensos custos e drenando recursos vitais que seriam usados para a sociedade de modo geral. O mesmo ocorre com algumas empresas que deixam de pagar bilhões em impostos, por serem “amigas do rei”. Isso nunca mudaria.

 

– Crime desenfreado. Trata-se de mais uma estratégia comunista que visa aumentar a violência propositalmente por meio de penas brandas e sistema corrupto. A ideia é manter o povo tão preocupado em apenas “ficar vivo”, que deixará de prestar atenção nas questões políticas, e irá, mais docilmente, aceitar as “mudanças salvadoras” do socialismo/comunismo/petismo. Curiosamente, depois que tomam o poder, os regimes comunistas têm as penas mais duras do mundo, pois não interessa mais “desestabilizar o sistema”. Isso jamais mudará com impeachment.

 

– O atual STF jamais permitiria mudanças radicais. O STF é composto de indicados por políticos, entre eles há até ex advogados do PT, escolhidos exatamente por terem tendências marxistas/comunistas. É pouco crível que aceitem as mudanças acima. E mesmo em relação a clamores unânimes do povo como a redução da menoridade, que sequer foram aprovados, já há ministros dizendo que são contra. Ou seja, a democracia é UMA FARSA, uma vez que a vontade popular não é respeitada. O que importa é o que os “Deuses do Olimpo” acham.

 

– A democracia é uma FARSA 1. Atualmente, os políticos SÃO DITADORES ELEITOS A CADA 4 OU 5 ANOS. Uma vez lá, eles podem fazer o que lhes der na telha, mesmo que contra tudo o que prometeram na campanha. A solução disso seria tornar o voto TEMPORÁRIO E CONDICIONAL. Ou seja, teríamos a implantação do “RECALL POLÍTICO”. Os votos dados a um político poderiam ser cancelados pelos eleitores, caso se encontrem descontes com o desempenho do mesmo. Nesse caso, o político mentiroso poderia ser “demitido”, e os votos poderiam ser direcionados a outra pessoa ou até mesmo organização. Isso evitaria TRAIDORES E MENTIROSOS, que correspondem à regra geral. Os políticos implantariam isso? Nunca.

 

– A democracia é uma FARSA 2. Na Suiça, existe a “democracia direta”. Ou seja, qualquer lei que tenha impacto na vida das pessoas (especialmente impostos) somente é aprovada mediante plebiscito. Alguém te perguntou se você aprovas as “cotas sociais/raciais”? Se você aprova que menores possam matar livremente? MAS, isso diminuiria drasticamente o poder dos políticos. Você crê que os políticos aprovariam isso?

 

– Forças armadas são “mendigas”. Anualmente, toneladas de drogas e armas atravessam as fronteiras, destruindo vidas e a segurança, mas as forças armadas NÃO TÊM RECURSOS para fiscalizar. “Estranhamente”… Partidos que apoiam as FARC (que são, na verdade, grandes cartéis de drogas) são contra a independências financeira das forças armadas. Além disso, o PT tem “contingenciado” as verbas (dinheiro bloqueado, que não é liberado) das forças armadas. Isso destrói a capacidade de defesa do Brasil contra os cartéis de drogas e armas, e destrói a sociedade, com a inundação do país com drogas e armas para bandidos.

 

O orçamento militar deveria ser independente, baseado numa porcentagem do PIB e ser “incontigenciável”. Mas isso tiraria o poder de “manipulação política” dentro das forças armadas. Os políticos jamais fariam isso.

 

– Punição para todos os corruptos. Atualmente, o juiz Moro está fazendo um trabalho exemplar. MAS… O que ocorrerá quando chegar a Lula/Dilma? O STF iria permitir? O PT será extinto? TODOS os corruptos (inclusive do PMDB e PSDB) serão presos? OU, como sempre, acabará em PIZZA? A sociedade está farta, desacreditada na justiça e suas instituições. Dificilmente se teria justiça com o sistema como está.

 

 

– CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Logo, a ideia geral do intervencionismo consiste em implantar mudanças que, de outra forma, jamais ocorreriam. A ideia que se tem é que, ante a gravidade da corrupção, não há qualquer outra saída “institucional”.

 

As forças armadas do Brasil já agiram em outros episódios de nossa história, sempre em momentos de grave crise, como foi na abolição da monarquia ou contra as “intentonas comunistas” da década de 1930, ou ainda na tentativa de golpe comunista de 1964. Poucos sabem, mas haviam militares de tendência comunista favoráveis a João Goulart, e o risco de “Cubanização” do Brasil, tal qual ocorre hoje, foi maior do que se imagina.

 

Atualmente a ideia intervencionista, duramente criticada pela imprensa e ameaçada por políticos, é ainda minoritária. Porém, o crescimento dos adeptos de tal solução tem sido muito significativo. E já transbordam da internet para a “vida real”, com acampamentos, panfletagens e ações de divulgação cada vez maiores.

 

Tem sido recorrente o desdém dos políticos quanto ao “pequeno número” de intervencionistas nessas “manifestações da vida real”, se comparados com os milhares de “guerreiros intervencionistas da internet”.

 

Porém, é preciso lembrar que Gandhi, antes de derrubar o império britânico na Índia, contava apenas com um punhado de seguidores e Jesus iniciou sua ‘revolução’ com meros 12 apóstolos. Todos tinham em comum uma fé inabalável, a certeza da justiça de suas causas e a disposição para o sacrifício. E aquilo que vi, nos olhos de cada qual naquele pequeno acampamento, não foi nada diferente disso.

 

O tempo dirá.

 

 

Iran Porã Moreira Necho

 

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