anarquia

por Iran P. Moreira Necho.

 

Meditei um pouco sobre um jovem ‘wannabe’ anarquista que postou num grupo dedicado às idéias de Olavo de Carvalho. Na verdade, mais um desses que repetem ideias  alheias dentro de um mecanismo acrítico de propagação. Por isso a ideia deste texto. Então vamos a uma rapidíssima análise. Primeiro, confesso que o anarquismo é uma ideia tentadora, ainda que politicamente infantil e irrealizável. Afinal, quem não gostaria de viver dentro da “máxima liberdade possível”?

Mas a contradição começa aí. Se não há liberdade para possuir (propriedade), então não há a mais básica das liberdades, pois é inerente ao homem o desejo de legar aos filhos o fruto de seu suor (propriedade e herança).

Segundo:  e a quem ficaria incumbida a tarefa de “proibir a propriedade”? Um “super grupo” de “fiscalizadores”? Então temos que a tirania (propriedade) que o anarquismo tenciona abolir seria realizável por meio de outra tirania, ainda pior. E, certamente, essa “KGB anarquista” haveria de ter muito mais poder que os atuais detentores de propriedade, uma vez que inexistentes os limites ditados pela Lei atual.

Mas a maioria dos que se dizem, no Brasil ao menos, libertários anarquistas, jamais leram nada a respeito ou deitaram firme e delongada crítica acerca de sua praticidade. Jamais estudaram a revolução espanhola e, quando falam de Chiapas, o fazem com base em propaganda panfletária comunista. Não em fatos.

Então, aos que assistiram ao filme “V, de vingança”, lamento informar: Nem todos comunista é um anarquista, MAS TODO ANARQUISTA é, necessariamente, um comunista. Ainda que negue.

Isso pelo simples fato de que será necessário a implantação da DITADURA DO PROLETARIADO enquanto etapa para a supressão da propriedade. Pois é pouco provável, a não ser por meio de uma ditadura massacrante e sangrenta, que as pessoas abram mão de todas as suas posses para o ESTADO (ou como queiram chamar o “órgão arrecadador”). Somente então, com a supressão inicial de toda propriedade, é que se teria a etapa final, que corresponderia à supressão do ESTADO.

Lindo, não? A teoria, além de irrealizável economicamente (você suaria uma gota se não pudesse possuir nada?), é romântica ao desconsiderar a mais básica característica humana, que é o desejo de poder.

Ora, é intrínseco ao homem a busca do poder. Algo que, no capitalismo, dada a fragmentação gerada pela competição , têm-se algum equilíbrio, ainda que longe de ser perfeito. Já, numa ditadura de poder, típica de qualquer sistema comunista, quem (além de Jesus reencarnado, quem sabe) haveria de ceder o poder a outrem?

O que a história demonstra é apenas o natural. E que, se repetida a experiência ideológica, haverá de redundar nas mesmas tiranias comunistas que arrasaram países e assassinaram milhões no mundo. O homem é o mesmo, onde quer que se encontre.

Vietnã, Camboja, Cuba, União Soviética. Todos essas “experiências marxistas” foram apoiadas por “libertários anarquistas” em algum momento. Para terem, em seguida, uma vez conquistado o poder, os pescoços cortados pelos comunistas puros.

A ideia do anarquismo sempre foi usada como propaganda de conversão comunista, como uma miragem paradisíaca em nome da qual valeria a pena o sangue, os massacres e abrir mão, “temporariamente”, da liberdade.

E então, temos que, em nome de uma “liberdade perfeita”, as pessoas passaram a abrir mão de “toda liberdade”, para então descobrir que a “perfeição”, tal qual miragem, jamais chegaria.

O que concluo é que o anarquismo correspondente a “uma mentira eficiente”, retoricamente falando, tal qual o comunismo é. É romântico e sedutor. Mas, se um “doce delicioso” mata toda vez que ingerido, talvez seja, afinal, um indicativo racional de que se trata mesmo de veneno…

As ilusões e delírios não são um mal em si, a não ser quando passamos a nos governar por eles. E, especialmente, quando passamos a impô-los a terceiros. Política é realidade.