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A Direita no Brasil

por Iran P. Moreira Necho

 

 

O Brasil é um ‘case’ em termos de política que beira mais a psiquiatria. Aqui não há matizes ideológicos. Todos são “de esquerda”, ainda que apenas para não discordar. Embora a maioria não tenha a mais pálida ideia do significado atual do termo. Ser “de esquerda” é uma maneira polida pela qual a brasilidade evita dizer “não”, termo este que, dentro da malandragem amistosa típica dos tupiniquins, equivale a um insulto pessoal. Dizer “não” é sempre uma tarefa impensável para os brazukas, algo sempre precedido de imensas e delongadas explicações e pedidos de perdão. Assim, ao nos dizermos “de esquerda”, ainda que não sendo, concordamos em tudo, amistosamente, para não chegarmos a conclusão alguma.

Claro que há ainda uma reminiscência dos movimentos pelas “Diretas Já”, onde “Direita” equivalia, por uma aplicação enganosa da definição francesa (“esquerda” e “direita” apareceram na Revolução Francesa, onde membros da Assembleia se dividiam em partidários do rei sentados à direita e simpatizantes da revolução à esquerda.), a apoiadores do regime militar. Algo inverídico, uma vez que pessoas ideologicamente “de Direita”, também eram favoráveis à abertura democrática. Mas, por meio de uma inteligentíssima campanha cultural dos movimentos marxistas, o “Diretas Já” foi um ambiente propício a 2 objetivos: legalizar os partidos marxistas, ao mesmo tempo em que se enterrava, politicamente, qualquer contraposição ideológica.

Mas o enterro da Direita no cenário político brasileiro não pode ser creditado apenas e tão somente à inteligente e eficaz campanha cultural marxista, que se infiltrou em todos órgãos da imprensa. A Direita brasileira sempre foi fragmentária, personalista e completamente distante das massas. Lembro-me dos tempos em que fiz parte do PSDB, um partido que nada tem de Direita (ou esquerda…), mas que teve e tem um ou outro candidato mais à favor da liberdade e a iniciativa privada do que propriamente à foice e o martelo de Marx. Por essa época assessorei alguns candidatos, entre os quais um jovem (não eleito), que ao ser indagado sobre seus planos de aproximação com os eleitores e sua base ideológica, respondeu com um “Deus me livre, quero apenas ganhar a eleição, veja aí o que você faz…”…

Para piorar há os eternos defensores da “ideologia do nada”, os “centristas”, uma prostituição ideológica em que se é tudo e nada ao mesmo tempo e, portanto, livre para fazer o que lhe manda os interesses pessoais, portanto sem qualquer cobrança ideológica ou explicação ao eleitorado. Com exceção da Esquerda propriamente dita (PT, PSOL, PCdoB, etc) TODOS os demais (PMDB, PSDB, PTB, etc) são de “Centro”. Claro, “Centro-Esquerda”, pois é mais “politicamente correto” ser de “Esquerda”. 

Recentemente, após a “descoberta da Direita”, com as manifestações contra a corrupção e o PT, diversos políticos profissionais tentaram “abocanhar” esse eleitorado, algo bem mais difícil, dado à formação intelectual mais sólida do mesmo. Exemplo disso foi um membro do DEM, que propôs a criação de um partido ou coalizão. Claro, de “CENTRO-direita”, algo tão possível e inteligente quanto oferecer “menos açúcar” para diabéticos crônicos, na esperança de que eles aceitem morrer mais lentamente.

Então, não é de todo incorreto dizer que “inexiste” uma Direita estruturada no Brasil. Um fenômeno que gera uma “orfandade”. Pois, há sim, o pensamento de Direita. Milhões de eleitores que pensam em termos de liberdade de mercado, de iniciativa privada, que são contra os ideários comunistas, o Estado “cabide de empregos”, o sindicalismo ideológico e o estatismo típico dos “cumpanherus”. Porém, grande parte irá se dizer “esquerda”, por absoluta falta de opção, ainda que não tenham a mais remota ideia do significado do termo. O que é ruim, pois facilita os projetos de poder absoluto dos “verdadeiros esquerdistas” (comunistas, PT, PSOL, bolivarianos, cubanistas, etc), na medida em que estes não enfrentam uma contraposição de ideias.

 

Mas, e atualmente, a que corresponde Direita e Esquerda? Vamos a uma análise sucinta:

 

ESQUERDA X DIREITA

 

Hoje, por convenção, temos como esquerda: social-democratas, socialistas, democrático-socialistas, libertários socialistas, comunistas e anarquistas.

Por Direita, temos:  capitalistas, neoliberais, econômico-libertários, nacionalistas-liberais.

 

  • Divergências:

– Verdes: Há alguns “verdes” (movimento ecológico) que se dizem “esquerda”, mas é algo completamente enganoso, na medida em que é perfeitamente possível conciliar liberdade econômica e respeito ao meio ambiente. E a grande maioria deles prega mais a liberdade que Marx.

– Religiosos: A questão referente à religiosidade não é algo que se possa usar para definir o posicionamento político, até porque, v.g., os movimentos comunistas árabes são todos islâmicos. Então pode-se ter um religioso de esquerda ou direita, por mais que isso, em termos de Marxismo, possa parecer impossível. Mas é um fato. E há ateus, tanto na Direita, quanto nas Esquerda.

– Drogas: a questão referente à liberação de uma substância ou outra não é algo que possa servir como definição política. Pois há políticos que são contra, por exemplo, a liberação da maconha, mas que fumam e bebem (outras drogas). Bem como há aqueles que são completamente contra qualquer tipo de droga, mesmo sendo Marxistas (vide marxismo-islâmico). Logo, tais posicionamentos não se prestam a definir ideologicamente qualquer tendência.

– Nacionalismo: Esse é um termo totalmente ambíguo e usado tanto por Direita quanto Esquerda. Pode se referir a questões culturais, independência política ou econômica, ou mero civismo patriótico.

– Gays: Ser ou não, não torna ninguém de Direita ou Esquerda. Aliás, em muitos países comunistas/socialistas os gays são perseguidos, presos ou mortos, fato inexistente na cultura capitalista. Regimes como o Cubano, Norte Coreano e praticamente todos os marxista-islâmicos, são conhecidos por terem assassinado milhares de gays no passado. Logo, se alguém persegue gays, isso se dá por questão pessoal e não ideologia “capitalista”.

 

DIREITA E ESQUERDA,  NA PRÁTICA

  • Em termos práticos de governo atual, temos que:

 

A ESQUERDA aplica/crê: 

– Em Karl Marx como base ideológica. Com a consequente tomada de poder popular em algum momento (ditadura do proletariado);

– Destruição/relativização da propriedade privada;

– Assistencialismo estatal (bolsa família, etc). “A cada um, segundo suas necessidades/desejos”. Os mais fracos e menos aptos recebem mais do Estado, em detrimento dos mais capazes ou mais esforçados, que ficam com menos recursos;

– Ingerência estatal na formação da família (estatuto dos adolescentes, lei da palmada, cartilha de educação sexual, pregação da liberação sexual para crianças);

– Estatismo econômico: cabides de empregos, uso da máquina pública para “cumpanherus”, “desvio público em 3 atos” (emprega-se o militante, o militante recebe, o militante é obrigado a “doar” parte do salário ao partido) ; 

– Supressão de qualquer possibilidade de auto-defesa, que é estatizada (desarmamento, perseguição política e judicial em casos de legítima-defesa, ainda que clara);

– Forte interferência na liberdade (ingerência, burocracia) econômica;

– Liberalismo criminal “temporário”, com penas leves para criminosos, e perseguição a policiais “violentos”. Na verdade, trata-se do uso da “revolução socialista pela criminalidade”, na medida em que o sentimento de insatisfação e insegurança são intencionalmente buscados como meio de fazer a sociedade aceitar medidas que jamais apoiaria (desarmamento, etc). Porém, assim que o comunismo obtém o poder absoluto, as leis penais passam a ser duríssimas, pois não lhes interessa mais a instabilidade;

– Menoridade penal elevada (18 anos ou mais). Novamente, usa-se da desculpa de “Direitos Humanos”, quando se trata, em verdade, de estratégia política de desestabilização pela alta criminalidade. As pessoas passam tanto tempo em noticiários de crimes, que deixam de prestar atenção a todo o resto que está ocorrendo;

– Mais impostos (para suportar um Estado maior e mais assistencial);

– Internacionalismo econômico ideológico (sacrifício da economia nacional em nome de interesses “mundiais” ou “regionais” ideológicos);

– Cotas (raciais, sociais, de origem) são usadas como forma eleitoral;

 

 

A DIREITA aplica/crê: 

 

– Em Ludwig Von Mises como base ideológica, com a consequente diminuição do Estado e o aumento da liberdade iniciativa individual e empreendedorismo;

– Proteção à propriedade privada;

Meritocracia. “A cada um segundo seu esforço e capacidade”. O Estado investe mais em quem se esforça mais (concurso públicos, etc). Mesmo programas sociais são condicionados a algum esforço por parte de quem o recebe (bolsa escola, com boas notas, comportamento e frequência);

– Proteção da família, com a liberdade de escolha educacional e religiosa dada aos pais;

– Liberalismo econômico;

– Auto-defesa (direito de possuir armas e se defender) garantida;

– Privilégio e incentivo à iniciativa privada e à criação pessoal;

– Conservadorismo criminal. As penas deixam de ser um meio de “recuperar o criminoso”, e passam a ser vistas como meios de “proteção à sociedade”;

– Menoridade penal reduzida (16, 14, 12  ou a simples consciência do crime praticado). Novamente, o objetivo é proteger a sociedade, e não o indivíduo criminoso, visando a estabilidade social;

– Menos impostos. Através de privatizações e uma bem menor interferência estatal na economia. O que significa, por outro lado, menos “bolsas”, “leis Rouanets”, dinheiro para “artistas” ideologicamente engajados, para “publicidade estatal”, para ONG’s ligadas ao governo, entre milhares de outros gastos.

– Nacionalismo econômico. As economias nacionais devem ser usadas exclusivamente para benefício da Nação, a não ser nos casos em que se trate de compromissos legais (ONU, etc).

– Cotas não são usadas por ferirem a meritocracia e gerarem preconceito contra aqueles que, por mérito, venceram.

 

 

MOTIVOS PELOS QUAIS A DIREITA NÃO “PEGA” POLITICAMENTE NO BRASIL

 

– Com um Estado menor, as chances de roubar, desviar, empregar “cumpanherus” são muito menores;

– Com uma economia mais dinâmica e independente, a necessidade de depender de políticos seria menor;

– Com menos burocracia, a necessidade de pedir “favores” a autoridades diminuiria muito ou deixaria de existir;

– Com menos criminalidade, o povo passaria a prestar atenção em outros aspectos da vida nacional, o que aumentaria as cobranças;

– Com menos ingerência na economia, as chances de “vender leis” sob medida para grandes grupos de interesse deixam de existir;

– Com menos assistencialismo, perde-se o poder de comprar os votos dos miseráveis;

– A Direita prega o racionalismo, a correção e a família, bandeiras que não são tão “românticas” (ainda que mentirosas e manipuladoras) como as da Esquerda, que prometem o Paraíso na terra para alcançar seu Inferno comunista;

– Praticamente inexistem organizações (ONG’s, fundações, partidos, etc) que se assumam como “Direita” e visem popularizar a ideologia (bem, estamos tentando fazer nosso humilde papel, dentro dos parcos recursos que temos…).

 

 

E você, é Esquerda, Direita ou “Esquerda, para não discordar”?

Pense nisso. Assumir aquilo em que se acredita apenas colabora para a diversidade de pensamento, a verdadeira democracia, bem como evita acordar um dia ouvindo o hino Venezuelo-Cubano pelo rádio…

 

 

Iran P. Moreira Necho